| 01/04/2011
"Se você ama, diga que ama. Não tem essa de não precisar dizer porque o outro já sabe. Se sabe, maravilha, mas esse é um conhecimento que nunca está concluído. Pede inúmeras e ternas atualizações. Economizar amor é avareza. Coisa de quem funciona na frequência da escassez. De quem tem medo de gastar sentimento e lhe faltar depois. É terrível viver contando moedinhas de afeto. Há amor suficiente. Há amor para todo mundo. Há amor para quem quer se conectar com ele. Não perdemos quando damos: ganhamos junto. Quanto mais a gente faz o amor circular, mas amor a gente tem. Não é lorota. Basta sentir nas interações do dia-a-dia, esse nosso caderno de exercícios.

Se você ama, diga que ama. A gente pode sentir que é amado, mas sempre gosta de ouvir e ouvir e ouvir. É música de qualidade. Tão melodiosa, que muitas vezes, mesmo sem conseguir externar, sentimos uma vontade imensa de pedir: diz de novo? Dizer não dói, não arranca pedaço, requer poucas palavras e pode caber no intervalo entre uma inspiração e outra, sem brecha para se encontrar esconderijo na justificativa de falta de tempo. Sim, dizer, em alguns casos, pode exigir entendimentos prévios com o orgulho, com a bobagem do só-digo-se-o-outro-disser, com a coragem de dissolver uma camada e outra dessas defesas que a gente cria ao longo do caminho e quando percebe mais parecem uma muralha. Essas coisas que, no fim das contas, só servem para nos afastar da vida. De nós mesmos. Do amor.

Se você ama, diga que ama. Diga o seu conforto por saber que aquela vida e a sua vida se olham amorosamente e têm um lugar de encontro. Diga a sua gratidão. O seu contentamento. A festa que acontece em você toda vez que lembra que o outro existe. E se for muito difícil dizer com palavras, diga de outras maneiras que também possam ser ouvidas. Prepare surpresas. Borde delicadezas no tecido às vezes áspero das horas. Reinaugure gestos de companheirismo. Mas, não deixe para depois. Depois é um tempo sempre duvidoso. Depois é distante daqui. Depois é sei lá."

Texto de Ana Jacomo.

Não há necessidade de dizer mais nada, não é?! ;)

edit

3 comentários:

  1. Poxa!!!
    agora sim eu sei o quanto sou amada...
    pq só agora dei conta do quanto eu realmente amo...
    da vezes que falo amar, pq realmente ao, e das delicadezas bordadas que fazem surpresas...

    Amei!!!
    =D

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  2. É verdade. Depois é tão sei lá...Por muito tempo eu realmente vivi assim, de depois, ou justamente na desculpa de que as pessoas sabiam que eu as amava. Mas é mesmo algo constantemente carente de atualizações. Então que todos nós digamos! Eu te amo! Só peço que essa palavra não se banalize, nem que ela vire um "oi". Espero que todos nós amemos de verdade.

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  3. O amor não pode virar um "bom-dia..."
    Concordo com a Ana quando ela diz que o amor, quando é amor, é amor.

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