Estar só não é estar menor, é estar completo

| 14/02/2015
Estive pensando sobre isso ha algum tempo e, de repente, começou a aparecer vários textos falando sobre isso na minha Timeline. Achei estranho demais, primeiro apareceu um do blog Entenda os homens, eu li e fiquei: “pooooorra, tudo aquilo que eu tava pensando em escrever no meu blog! Massa!” dias depois, outro na página da Conti outra e mais outro e depois mais outro. Eita! Aí eu decidi logo escrever porque eu queria registrar mais esse momento da minha vida no meu bloguinho, só pra eu ler daqui ha alguns anos e poder ver o quanto que eu amadureci! Ou não! :P





          Houve um tempo em minha vida em que eu tinha muito medo da solidão. Não conseguia ficar sozinha e essa ideia da solidão me assustava por demais. Eu queria sempre ter alguém pra poder suspirar. Se não fosse um corpo quente pra abraçar, que fosse pelo menos alguém pra pensar, alguém que eu soubesse que nutria algum interesse além da amizade, pra poder alimentar meu ego e dizer pra mim mesma que eu não estava totalmente sozinha e nem totalmente vazia. A ideia de me sentir vazia de sentimentos por um outro alguém me fazia muito mal. Era como se eu só conseguisse me sentir viva se eu tivesse alguém pra amar/sofrer/ter perto – como queira. E, nessa busca incessante por um “amor” eu acabei me perdendo um pouco do meu caminho, perdi uma boa parte de autoconhecimento e esqueci de pensar em mim e de aproveitar minha ótima companhia. E não pude perceber, por muito tempo, o quanto que isso era agradável e essencial pra o meu amadurecimento.

Estive por tanto tempo com medo da solidão que não percebia que estava me sentindo cada vez mais sozinha por tentar estar sempre com alguém. Muitas vezes alguém que não somava, que não me fazia envolver e que, por fim, não me tirava daquela solidão que tanto me atormentava. Era só mais um alguém tentando preencher um vazio que era impreenchível (existe?) por qualquer pessoa, além de mim mesma.

Estar com alguém somente por medo da solidão, por carência ou por aparência é uma traição com sua própria companhia. Você trai a si mesmo a cada vez que troca sua companhia por a de outro alguém por medo de solidão. Quando eu entendi que estava traindo a mim mesma com as minhas tentativas frustradas de não ficar só, eu percebi o quanto de tempo que eu perdi, o quanto de sofrimento que eu poderia ter evitado e, acima de tudo, eu aprendi a valorizar a solidão. Eu nunca entendia quando lia aqueles textos no facebook sobre se auto amar, curtir a solteirice, ser feliz sozinho. Pra mim aquilo tudo era pura mentira,  e que, como disse Vinicius, “é impossível ser feliz sozinho”. Eu não discordo dele, quem sou eu?! Hahaha Mas eu acredito que ficar um tempo com o coração sozinho e tranquilo é essencial pra que você consiga ser feliz com alguém. Aquele papo de autoajuda e blablabla que você tem que se amar primeiro pra poder amar alguém de verdade é a mais pura verdade. Você nunca vai se sentir completo num relacionamento se você entrar nele incompleta, esperando que o outro faça isso por você. Ninguém precisa me preencher, eu mesma tenho todas as ferramentas pra fazer isso. Alguém tem que vir pra somar, mas se eu não tiver nada pra acrescentar a outra pessoa, não tem elementos para serem somados. Entende meu ponto? A partir do momento em que eu consegui apreciar minha companhia e entender minha solidão como algo bom, meu interior mudou completamente. É um momento somente meu, onde eu posso me autoconhecer e assim, sendo uma boa companhia pra mim mesma, eu posso ser uma boa companhia pra aqueles que me rodeiam.

É o momento de deixar meu coração livre, sabe? Um momento onde meu coração está cheio de coisas boas, memórias, saudades, lugares e não há lugar pra ninguém que venha ocupar espaço por carência ou medo de solidão.

É quando você se sente tão leve e dona de você mesma que você não consegue aceitar alguém que venha por puro capricho do seu subconsciente, que venha pra ocupar aquele quartinho por duas semanas ou duas horinhas. Não pode ser só isso, sabe? É aceitar que, pra estar com outro alguém é preciso que a companhia do outro seja tão boa ou melhor que a minha própria companhia, pra que eu possa trocá-la pela dele, entende? Um pouco pedante, pode parecer. Mas é verdade. Por que raios eu escolheria a companhia de alguém que não soma e não acrescenta? Doesn’t make any sense! Então!

Que o outro venha somente para somar, acrescentar coisas boas e não pra bagunçar as minhas gavetas e deixar os sentimentos espalhados pela casa, sabe? Que venha pra dar alegrias e não agonias, pra causar amor e não dor. Pra trazer paz à alma e pra enfeitar domingos.

Aproveite sua solidão, ame sua companhia e se autoconheça. Você vai perceber que perdeu tempo fugindo da solidão errada!


“Que minha solidão me sirva de companhia, que eu tenha a coragem de me enfrentar, que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo”
 Clarice Lispector



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00:25

| 11/02/2015

São meia noite e vinte e cinco. A cabeça dói, os olhos quase não conseguem ficar abertos. Deitei às onze por não querer permanecer de olhos abertos na claridade por mais tempo. Não adiantou. Deitei pra dormir, mas parece que o sono fugiu de mim como o diabo foge da cruz e se escondeu em algum buraco profundo que eu nao consigo achar de jeito nenhum. 

Não conseguia dormir, mexer no celular foi a primeira opção pra tentar chamar o sono. A cabeça dói demais e mexer no celular não estava ajudando. Lutei contra minha falta de sono, fechei meus olhinhos e comecei a chamar o sono na esperança de que ele aparecesse milagrosamente. Não funcionou. E, mesmo contra a minha vontade, eu comecei a pensar em você. Comecei a me lembrar de como os nossos corpos se encaixavam bem, de como sua mão nos meus cabelos me fazia relaxar e de como o teu beijo ainda tinha o mesmo gosto. Comecei a pensar na complicação que é falar de nós dois: não há o que falar. Simplesmente não existe nós, além do que minha imaginação inventa, claro. Comecei a pensar em como eu queria ter teu corpo junto ao meu em uma noite fria, e em uma noite de verão também. Em como eu gostaria de olhar nesses teus olhinhos e imaginar o que tu tá pensando. Pensei também que eu não me importaria em te ter desse teu jeito bagunçado, leve demais, livre demais, contanto que eu pudesse ter uma partezinha de tu pelo menos algumas horinhas do dia, ou ter tua atenção em alguns dias na semana. Eu não me importaria em não ter que te pedir satisfação, até porque odiaria ter que dar satisfação também. Não me importaria em não perguntar onde você esteve, com aquele tom de juiz em audiência. Não me importaria em dividir contigo uma cerveja enquanto tu me conta o teu dia de livre e espontânea vontade, sem eu ter que perguntar com quem tu estava as três e trinta e sete da tarde. Não me importaria em não ter um rótulo de compromisso contigo, desde que o teu coração me fizesse sentir que tinha um espaço ali só meu. Não me importaria nem de não ser apresentada aos teus pais: isso é coisa séria demais. E, por fim, pensei que não me importaria de ser tua só quando a gente bem entendesse, desde que a gente conseguisse marcar profundamente um ao outro: com os beijos, as unhas ou com os corações. 

Chega! Pensei demais! Resolvi pegar o celular novamente pra parar de pensar em tanta besteira. 
Olhei pela décima vez o feed no facebook, pela centésima vez o feed do instagram e pela trigésima vez stalkeei o seu perfil. Mas resolvi largar o celular porque a cabeça tava prestes a explodir. Decidi que ia dormir de uma vez por todas, amanhã tem academia cedo, mil coisas pra resolver.. Esse sono tinha que me obedecer! Fechei os olhos novamente, tentei chamar pelo sono e advinha?

lá vem você ocupando minha cebeça outra vez..


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"a dor precisa ser sentida"

| 08/02/2015


Há dois dias eu assisti 'A culpa é das estrelas' ~ me julguem ~ e eu chorei da metade do filme até o final sem parar ~ me julguem novamente. E de todas as frasezinhas que ficam na cabeça, além de "alguns infinitos são maiores que outros", a frase que mais ficou marcada pra mim foi "A dor precisa ser sentida". A Hazel repete essa frase zilhões de vezes, mas ela tava falando daquela dor de perder alguém com câncer, tá, eu sei. Mas isso pode ser atribuído também a tudo nessa vida. Eu já escrevi algo sobre isso, sobre como todas as nossas cicatrizes que a vida fez, fizeram com que a gente se tornasse o que a gente é hoje.

E eu acredito que é necessário que você sinta toda aquela dor que é emocional - que mais se parece com dor física - que dói tanto por dentro que você sente como se alguma coisa tivesse apertando o seu coraçãozinho até ele se desfazer. Aquela dor que faz com que você deseje arrancar o seu coração pra tentar não sentir mais nada.

Mas no final das contas, a verdade é que você precisa mesmo sentir tudo isso na vida, você precisa sofrer pra saber a dor de estar viva e pra saber agradecer quando as coisas vão bem. Você precisa saber o grau das dores sentindo todas elas. Você precisava se apaixonar - e chorar - por todas aquelas paixões não correspondidas. Mas você só entende isso depois.

Você precisava se apaixonar por aquele menino do colégio que olhava pra menina mais bonita da sala - que não era você, obviamente.
Você precisava se apaixonar por aquele menino, que te beijou no ônibus e que você não entendeu até o momento do beijo que estava apaixonada por ele. E que depois ele mal olhou na sua cara.
Você precisava se apaixonar por aquele outro que tinha os olhos lindos e que parecia te decifrar, mas ele não queria nada contigo.
Você precisava se apaixonar por aquele que era totalmente diferente de você mas que fazia você sentir que não precisava de mais nada, mas ele sumiu no final do mês.
Você precisava se apaixonar por aquele outro que te escrevia poesias, parecia estar apaixonado, mas te trocou por uma moça mais velha.
Você precisava se apaixonar por aquele outro, que vivia longe e que te fez feliz por algum tempo, mas que depois cansou de você.
Você precisava se apaixonar por aquele que era apaixonado por ti ha anos, mas quando você finalmente descobriu que sentia o mesmo, o tempo de vocês tinha expirado.
Você precisava se apaixonar por aquele que tinha tudo a ver contigo, porque vocês não eram nada parecidos, mas ele não conseguia se apaixonar.

Você precisava sentir todas essas paixões e todas essas dores pra saber que não existe nada que te faça sentir mais vivo que, simplesmente, sentir. Sentir a dor de um pé na bunda, de uma ignorada, sentir que você se importa, sentir que você pode amar.

Eu chorei assistindo 'A culpa é das estrelas' não porque eu estivesse sofrendo. Foi um choro livre de tristeza, um choro livre de qualquer tipo de sentimento que estivesse escondido em mim. Chorei muito, mas chorei simplesmente pelo filme ser triste e, como qualquer coisa nessa vida, fez com que eu me colocasse no lugar dos personagens.
E o choro acabou junto com o filme. E fim.

A dor precisa ser sentida. E foi. Foi sentida, foi aproveitada e serviu de amadurecimento. Todas as minhas dores, minhas decepções e todos os meus desamores são meus pilares. Eles me sustentam hoje, porque sem essa bagagem, eu seria uma pessoa totalmente diferente.

E sobre essa pessoa diferente, eu falo em outro post, meus caros leitores imaginários. Esse tá grande demais! :P



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| 02/02/2015
Desmontando
o brinquedo
eu descobri
que o frevo
tem muito a ver
com certo
jeito mestiço de ser
um jeito misto
de querer
isto e aquilo
sem nunca estar tranquilo
com aquilo
nem com isto

de ser meio
e meio ser
sem deixar
de ser inteiro
e nem por isso
desistir
de ser completo
mistério

eu quero
ser o janeiro
a chegar
em fevereiro
fazendo o frevo
que eu quero
chegar na frente
em primeiro

Desmontando o Frevo - Leminski
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