~talvez~ a gente daria certo

| 30/06/2016
Quando a gente se conheceu, la por outubro de 2004, era tudo meio que brincadeira pra nós dois. Nunca esqueci de quando você me beijou e perguntou: “Por que eu não te encontrei antes, menina?!”. Quis acreditar que era sincero. A cada dia, cada novo sorriso, cada nova conversa, cada pedacinho teu que eu ia conhecendo, cada tarde com os cotovelos debruçados na mesa da lojinha, cada olhar sincero e a cada abraço recebido e dado, me fizeram sentir uma coisa inesperada por você. Que eu fazia questão de não assumir pra mim mesma e muito menos pra você. E a gente levava aquela nossa brincadeira (que parecia coisa séria) muito bem. Você era até romântico as vezes e eu nunca soube como agir com você, eu só era eu mesma, e isso bastava, eu acho. Já que, pra mim, aquilo não passaria daquilo, entende? Aquilo tinha data pra acabar e eu não estava disposta a chorar e deixar meu coração ser quebrado assim. Mas, mais uma vez, a gente não controla sentimento e muito menos apego. A gente se apegou, a gente queria estar perto, a gente não conseguia não se ver. Até que você sumiu. E eu fiquei arrasada. Eu não esperava ficar, eu juro. Eu inventava mil desculpas pra justificar minha tristeza, mas nunca assumi que eu, de fato, tinha me apaixonado por você. Eu nunca assumi isso até o momento de escrever isso aqui, vale ressaltar. E isso nunca teve um ponto final bem dado. Não na minha cabeça. Mas como pra mim aquilo nunca ia dar certo, eu tratei logo de cobrir a ferida, visto que uma hora aquilo teria que acabar, eu já estava com os esparadrapos à postos.

E eu passei minha vida inteirinha lembrando de você. Não aquele lembrar que faz a gente ficar triste, querendo ter a pessoa de volta a todo custo. Não, nada disso. Eu lembrava de você e tinha uma saudade bonita, uma saudade boa de sentir que me fazia sorrir por lembrar do que a gente teve. Por lembrar que você foi o primeiro que fez com que sentisse aquela coisinha que chamam de ‘gostar de alguém’ pela primeira vez. E no fundo, lááááá no fundo mesmo, tinha alguma coisinha que me fazia lembrar de você e suspirar. Mas a gente nunca daria certo e eu segui a vida. E você reapareceu. Duas vezes. Você não bagunçava nada, incrível. Você entrava, conversava, tomava um chá e deixava todos os sentimentos intactos, você não fazia nenhum sentimento reviver e eu não deixava isso acontecer porque na minha cabeça a gente nunca daria certo. Mas eu sempre suspirava. Da segunda vez você reapareceu e mexeu um pouco nas coisas, fez com que aparecesse aquela dúvida do “será que daria certo?!” e fez com que eu contasse pras amigas com um sorriso de orelha à orelha. Mas, no final das contas, você sumiu de novo. E como a gente nunca daria certo, eu tratei de arrumar as gavetas e deixar pra lá.


Dois anos se passaram e eu ainda lembrava de você e suspirava. Ainda contava nossa história quando perguntavam quando eu me apaixonei pela primeira vez na vida ou de quem foi o melhor beijo que eu já provei. Mas a gente nunca daria certo, pensava, suspirava e levava a vida.  Eu nunca, repito: eu nunca pensei que a gente pudesse ter algo. De verdade. Isso era tão claro na minha cabeça que eu nem pensava nos 5 filhos que teria contigo. Hahaha Nunca pensei que eu pudesse estar hoje aqui, às 22:26 do dia 28 de janeiro de 2015 sentada na minha caminha, escrevendo nossa história e pensando que eu queria você. Por achar que a gente nunca daria certo, eu achei que eu te beijaria de novo e que tu não teria nenhum impacto na minha vida. Eu queria te ter de novo, nem que fosse por um momento, e achava que eu voltaria a te olhar de novo como aquele cara que nunca daria certo. Eu estava redondamente enganada. Porque tu significou pra mim muito mais do que um dia eu pude assumir pra mim mesma. Porque quando tu sumiu em 2004 tu fez uma falta tão grande, mas tão grande que a loja fechou mais cedo porque eu não conseguia mais ficar lá sem tua companhia. Tu significou demais pra mim e mesmo que eu não queira, tu voltou e bagunçou tudo. E dessa vez tu não me deixou com condições de arrumar a bagunça. Pela primeira vez na vida eu assumi pra mim mesma que eu queria alguma coisa com você. Porque eu acho que a gente daria certo.



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c a t i v a r ~

| 15/06/2016
Dia desses, enquanto perdia meu tempo olhando o facebook e tentando esquecer tua lembrança pela décima vez, alguém postou um trecho de 'O pequeno Príncipe'. Um dos meus favoritos, mas que há algum tempo não pensava sobre ele.
E foi lendo “O que quer dizer ‘cativar’?” que eu me lembrei de você. Afinal, como não lembrar?
É nessas horas que a gente se pergunta, porque com tanta gente por aí, existe somente uma que faz nosso coração acelerar, nossa perna tremer, o corpo arrepiar e o sorriso enlarguecer num só segundo. Alguém que te traz agonia e calmaria, no mesmo momento. É o tal do cativar, porque, como disse a Raposa ao little prince:


“Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim o único no mundo. E eu serei para ti única no mundo...”

Único no mundo. É isso. Exatamente isso que tu é pra mim. Único no mundo, o único em que eu consigo achar tudo e achar graça de tudo. É contigo que eu dou os meus melhores sorrisos, que a barriga dói de tanto falar besteira. É contigo a DR mais engraçada, que sai do quase choro ao riso de não conseguir mais parar. É contigo que eu posso contar em qualquer momento da minha vida. É contigo que eu passo os meus melhores momentos nos piores cenários. É em ti que eu consigo encontrar um amigo, companheiro, conselheiro, confidente, cúmplice, amor e amante. Tu és pra mim único no mundo porque tu me cativou, e se cativar é criar laços, nós criamos um dos mais bonitos, criamos laços que enfeitarão nossas vidas até quando a gente quiser.

É isso, tu me cativou.



"- O que quer dizer "cativar"?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa "criar laços”.
- Criar laços?
Exatamente, disse a raposa. Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. 
E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens também necessidade de mim. 
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. 
Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. 
Serás para mim o único no mundo. 
E eu serei para ti única no mundo..."

- O Pequeno Príncipe
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