de um cara que amou. Mas amou na hora errada.

| 21/07/2017
"Te ver ondem naquela padaria foi muito inusitado. Quem diria que você ainda voltaria aqui? E quem diria que pediria aquele sonho com doce de leite que só você gostava? Eu não sabia o que me impressionava mais: o fato de ver você alí, naquele balcão depois de tanto tempo ou o fato de você ainda continuar com esse gosto peculiar de gostar de sonho com doce de leite. 
Você não me viu chegando. Pensei: Será que ela veio nesse horário porque sabia que eu apareceria por aqui? Ou será que eu estou sendo idiota demais?
Você tava linda. Nunca deixou de ser. Até mesmo com aquela cara amassada de manhã cedo ou de mau humor quando estava com fome.
Seu cabelo tava mais loiro, mais bem cuidado eu até ouso dizer. Mas tinha alguma coisa diferente em você. Uma luz diferente brilhava no seu olhar. E eu fiquei me peguntando se era por minha causa ou se era apenas por provar o tal do sonho com doce de leite depois de tanto tempo... Me senti bem idiota pensando nisso, na verdade. Eu hesitei antes de entrar. Fiquei parado por alguns segundos atrapalhando a passagem enquanto meu coração desacelerava, até que um senhor pediu licença e eu me toquei que estava sendo um entrave. Entrei. E na mesma hora, você recebia seu sonho e corria em direção a uma mesa pra começar a comer. Passou por mim e me olhou surpresa, disse: “Oie”, com aqueles olhos esbugalhados, o sorriso mais lindo que nunca e as bochechas coradinhas do blush que usava. Parecia mesmo que você sabia que eu estaria alí, apesar da sua cara de surpresa. Parecia que você aguardava a minha chegada. Eu tremi. Você não sabe como meu coração acelerou mais ainda naquele momento. Com a voz meio trêmula eu disse: e-e-e-aí. Nos olhamos constrangidos por alguns segundos. Não conseguia pronunciar mais nada, me perdi naquele teu olhar castanho e profundo. E foi aí que você começou a falar, pra variar. “Tudo bem? Como vai? E a faculdade? E o estágio? Poxa, que legal!” O seu problema é que você fala sem parar quando tá nervosa e eu travo completamente. Mal respondia com “sim/não” e lá estava você fazendo uma pergunta atrás da outra. E eu consegui dizer algo além disso: Sonho de doce de leite? Ainda com esse gosto horrível pra comida?. Ela me olhou feio. Aquele olhar zangado que eu já não via há anos. Franziu o cenho e disse: “E você com essa idéia pessima de achar que só o que você gosta, é bom.” Me calei. Ela sorriu, pra mostrar que não estava zangada e disse que ia sentar pra saborear o sonho dela. E eu, parado estava, parado continuei. Não conseguia me mover. Meu coração pesava demais. 
Fui até o balcão e nem me lembrava mais o que tinha ido comprar. Peguei qualquer coisa e fingi que estava certo que era aquilo que queria. Mas mal sabe ela, que o que eu mais queria, era aquele olhar pertinho do meu novamente...

Ô menina, me diz aí. O que foi que tu fez? Depois de tanto tempo, depois de tantos nãos, como você consegue fazer com que eu me sinta o cara mais estúpido do mundo por não parar de pensar em você um segundo sequer? 
Que encanto foi esse? Que feitiço tu jogou? Depois de tanto tempo te encontrar foi mais uma dor. Porque eu esperei tanto pra ser o seu amor, enquanto você só me disse não atrás de não. Enquanto dizia sim pra pessoa errada.

Ô menina, me diz aí. Como é que eu faço pra tirar essa agulha com teu nome que grudou no meu peito? Como eu faço pra não comparar cada mulher que aparece na minha vida com você? Como eu faço pra não desistir as pessoas só porque elas não têm o teu humor, a tua risada, a tua simpatia? Como eu faço pra apagar de uma vez tudo aquilo que tu construiu, ainda que sem querer, aqui dentro de mim?

Te ver foi um martírio. Uma prova de que pode passar mil anos, mas você ainda estará agarrada ao meu peito, porque eu não quis deixar você sair.

Ô menina, me diz aí. 

Como eu faço pra me curar de você?"


edit
| 06/03/2017
Todo dia eu acordo e, como uma oração diária, eu digo que vai passar.
No decorrer do dia, quando eu olho pra qualquer coisa que me lembre você, eu digo novamente: vai passar.
Quando eu desocupo a mente e ela começa a viajar em tudo que passamos e no que não vamos mais viver, eu repito pra mim mesma: tudo vai passar.
E quando eu me deito, em mais uma oração diária, eu digo que se tudo sempre passou, nada disso será eterno.
E eu durmo. E vira e mexe eu sonho com você e acordo pensando que isso nunca vai passar.
Eu já tive essa sensação antes, sabe, e no final das contas sempre passou. Doeu, machucou, parecia que não ia passar nunca, mas passou! É sempre assim...
E aí, no outro dia, eu acordo novamente e repito: vai passar.

Mas parece que você tá mais grudado em mim do que qualquer outra pessoa já esteve.
Parece tatuagem, só sai com laser dos bons. E em várias sessões.
Ou seja: mesmo que eu conseguisse te tirar de mim de uma forma "fácil", você não iria sair de mim tão fácil assim!
É que você vai e vem, sabe? Uma hora a gente se afasta, outra a gente se aproxima, depois se afasta de novo e meu coração não aguenta tanta oscilação.
Ele só quer paz, tranquilidade e amor.
Ele tava tão cansado de uma bagunça enorme que alguém deixou há um tempo atrás, porque eu demorei tanto tempo pra arrumar... E eu prometi que jamais deixaria alguém bagunçar isso tudo de novo... E olha lá eu quebrando mais uma promessa mais uma vez.
E eu tô cansada, sabe? De ter que arrumar sempre a bagunça que alguém deixou em mim.

E meu coração tá cansado da bagunça que tu deixou aqui dentro e toda vez que eu tento arrumar, tu chega e joga tuas coisas em todo canto novamente. E aí vira esse amontoado de tu, igual tá agora.

Mas o tempo é rei.
Não tá fácil. Mas vai passar. Sempre passa.

Ninguém sabe quando. Mas passa.










edit
| 01/02/2017
Somos nós.
Nós de nós dois,
nós de entrelaços.
O mundo não compreenderia o que temos
porque não há nome pra isso.
Quem poderia dizer que há liberdade no amor?
Estamos juntos sem estar, 
uma espécie de grudados sem grudar.
O meu coração já reconheceu que nessa vida só há outro batimento que entre em sintonia com o meu compasso...
e o seu ritmo faz nosso laço.
Deixo nessa foto o registro de que caso com você amanhã
até porque jamais encontraria plenitude em outros 
olhos, 
boca
e braços.







edit

It was not enough

| 31/01/2017
As coisas iam muito bem
Eu acreditava completamente no que sentíamos um pelo outro
Às vezes batia uma dúvida ou outra, mas você sempre estava lá por mim 
E me fazia acreditar que estava lá porque isso te fazia bem e você me fazia bem de volta 
Eu gostava de ficar te olhando, admirando seu sorriso ou seus olhinhos de manhã 
Eu gostava do teu abraço, de como você me fazia sentir protegida e abençoada por ter tudo isso tão perto
Eu sentia que tudo era recíproco 
Sentia que tudo era suficiente 
Eu e você. Era tudo que bastava.
Eu achava.
Eu sentia.
Eu pensava.
Eu queria.
Tudo não se passava de uma coisa inventada pela minha cabeça e, de certa forma, você não assumiu que eu estava errada sobre tudo isso
Você entrou no jogo, me viu criando sonhos discretos, me viu me apegando ao teu corpo e à tua presença e não disse em nenhum momento que aquilo não era recíproco
Você me deixou acreditar que era suficiente 
Quando na verdade, eu não passei de alguns momentos bons
Mas nunca momentos suficientes 
Eu não fui suficiente pra você
E talvez nunca serei
Talvez o que eu te fiz sentir não despertou em você vontade suficiente de levar isso pra frente
Nós fomos momentos 
Mas nunca suficientes

afinal, quando as coisas não são suficientes, elas são fáceis de abrir mão.
E abrir mão, meu bem, a gente só faz quando sabe que aquilo não vai fazer falta.






edit

you are a mess

| 28/01/2017
As coisas estavam muito bagunçadas quando eu cheguei aí
Você me convidou pra entrar já avisando da bagunça, disse que não tinha nem lugar pra sentar.
O quarto, a sala, a cozinha...
E o quarto de hóspedes praticamente não existia. Era um emaranhado de coisas que não sabiam onde ficar
Eu entrei e arrumei um cantinho pra sentar, onde eu me encaixasse e eu não fizesse mais nenhuma bagunça por ali
Eu me ofereci pra arrumar, mas você não me pareceu muito à vontade com isso...
Mas mesmo assim eu cheguei e tentei arrumar algumas coisinhas, colocar umas coisas no lugar, esconder outras nas gavetas, enquanto tu me assistia sentado no teu sofá, como se não tivesse muito interessado em arrumar aquela bagunça, como se não soubesse por onde começar ou, talvez, não fazendo questão de arrumar, deixando lá até que você não aguentasse mais.
Mas eu continuei. A rinite atacou, mil espirros pelo meio da casa, mas eu continue lá, tentando colocar cada coisinha, descobrindo sozinha onde cada objeto pertencia, tentando entender como você deixou tudo virar aquela bagunça!! Até que tu se levantou e resolveu ajudar, tu disse que ia tentar, mas parecia que tava mais perdido do que eu. Não sabia onde as coisas pertenciam, não fazia ideia de onde guardar os objetos, mas conseguimos ajeitar a sala, ficou habitável, dava pra sentar, ver TV, conversar um pouco, mas tu colocava toda poeira embaixo do tapete e eu sabia que hora ou outra aquela poeira ainda iria bagunçar tudo.
Por um tempo permaneceu até arrumadinho, organizado, limpo e agradável. Eu tava gostando de ficar ali do teu lado, quietinha, curtindo tua companhia e apreciando nossa arrumação. 
Mas aí vinha qualquer vantaniazinha e fazia toda aquela poeira que ficava escondida dembaixo dos tapetes sujarem tudo novamente.
E lá íamos nós tentar arrumar tudo de novo, dessa vez com mais ajuda sua, jogando algumas coisas fora, organizando o armário, dobrando cada peça e prometendo que iríamos tentar manter tudo organizado.
Mas tu não aprendia e sempre colocava a poeira embaixo dos tapetes novamente. Eu tentei chegar até o quarto pra finalizar a arrumação. E depois de muito insistir, aceitou minha ajuda.
Mas tu não conseguia sair de lá com nada organizado.
Não sabia onde nada pertencia, não sabia o que queria manter naquele espaço, não fazia ideia de como organizar as coisas daquele lugar. Foi então que eu percebi que o problema todo, o que te impedia de ver as coisas claramente e organiza-las, era a minha presença naquele lugar.
E, nossa, como doeu perceber que eu te atrapalhava de fazer alguma coisa direito. Mas eu sabia que você só conseguiria arrumar a bagunça quando eu fosse embora...
Foi tão difícil te deixar, foi tão ruim perceber que depois de tanto esforço arrumando tanta coisa junto contigo, depois de tanto progresso segurando tua mão, agora eu precisaria te deixar pra que você assumisse a bagunça sozinho.
Doeu perceber que eu precisava ir. Porque essa bagunça nunca foi minha, eu não precisava estar onde estava tentando organizar as coisas pra você.

Porque certas coisas somente você poderá colocar no lugar.









edit
Postagens mais recentes Postagens mais antigas

Um blog que mistura verdades, pesares e poesia ~

© Design 1/2 a px. · 2015 · Pattern Template by Simzu · © Content ~ Apesar do Pesar