Por acaso (?)

| 18/09/2010
O horário: 14:20.
Saí de casa, na esperança de encontrar um ônibus ou na certeza de esperar por algum.
14:30, na hora de atravessar as avenidas bem movimentadas, avisto o ônibus, do outro lado.
Me desesperei, não queria esperar por uma hora o próximo ônibus.
Acenei, mas o motorista não viu. Atravessei uma das avenidas, na hora de atravessar a próxima o ônibus começou a andar.
Acenei mais uma vez e o motorista parou.
Um suspiro de alívio.
Corri e atravessei a avenida agoniada, com o vento me descabelando.
Entrei e perguntei: vai pra tal lugar?
[imagine se não fosse? tanto esforço pra nada, mas ia. ufa!]
Ônibus cheio, só haviam dois lugares, em uma poltrona havia um rapaz com uma criança no colo, e ele não parecia querer que outra pessoa sentasse do seu lado, estava tomando as duas poltronas.
No outro lado, um outro rapaz, parecia ter problemas mentais, não sei. Me sentei.
Abri meu chocolate, o miojo do almoço já não fazia efeito.
Comi, coloquei os fones e tentei cochilar. Não conseguia, o cara dormindo do meu lado, parecia que a qualquer momento ia cair por cima de mim.
Não consegui relaxar imaginando essa cena. Mas não havia outro lugar, então, fiquei por alí mesmo, esperando alguém descer pra poder trocar de lugar.
Durante a viagem, ouvindo minhas músicas e pensando... Um só pensamento pairava em minha mente naquele momento. E não era bem aquilo que eu precisava pensar, mas quem disse que eu escolho?
Então, uma hora e meia depois, muitas pessoas desceram. [Graças a Deus].
Resolvi então mudar de lugar, afinal, ali estava muito desconfortável e eu não queria que o rapaz caísse em cima de mim enquanto dormia.
Me levantei e enquanto pegava minha mochila ouvi uma voz me chamando, pensei que estivesse ouvindo vozes, afinal, estava pensando justamente naquilo, poderia ser coisa da minha cabeça.  Não imaginava ouvir aquela voz naquele momento, no mesmo ônibus que eu.
Olhei e o vi sorrir pra mim. Meu coração acelerou, eu sorri e fui até o seu lugar. Me sentei, o rosto quente, as mãos geladas e o coração batia tão forte que dava pra escutar.
Eu mal conseguia pronunciar alguma palavra. Fazia tempo que não sentia esse tipo de coisa.
Conversamos, conversamos e conversamos.  
Milhões de lembranças vieram à mente, milhões de coisas se passaram pela minha cabeça.
E eu não conseguia disfarçar a minha alegria por aquele encontro ao acaso.
E aquela certeza continuava martelando. A certeza que nunca deixará de ser certeza.
Enfim, foi a melhor volta pra casa.

edit

Um comentário:

  1. "Vou levando assim
    Que o acaso é amigo
    Do meu coração
    Quando fala comigo,
    Quando eu sei ouvir..."

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